OS MANGÁS DE TAKEHIKO INOUE E AS TENDÊNCIAS AUTOBIOGRÁFICAS NOS QUADRINHOS – PARTE 3 DE 3

Parte 3 de 3: o destino de Musashi e os obstáculos de Inoue em Vagabond

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Bem, esta aqui é minha monografia. Eu a concluí no último inverno, mas esperei algum tempo para publicá-la online para evitar ser acusado de plágio (nesse caso, autoplágio? rs). A dividi em três partes aqui no blog, para os posts não ficarem grandes demais. Também adicionei imagens, para deixar a leitura mais atraente. Espero que gostem! Links das partes um e dois.

 

Vagabond: Yoshioka e a espiral da morte

Em 2005, Takehiko Inoue retomava Vagabond, retratando a chegada de Miyamoto Musashi e Sasaki Kojirō à capital Kyōto. Antigos rivais de Musashi o aguardam na cidade, e Kojirō testemunha a força dos samurais. O arco, famoso nas lendas, não termina nada bem para o protagonista da história. Kyōto não é somente um centro comercial e político, é também a casa da maior escola de espadachins do país: os Yoshioka. Além do renome, o clã também influencia na administração da capital e seus duelistas são tidos como autoridades nas ruas. Musashi, em visita anterior aos Yoshioka, desonrou a escola com seu comportamento selvagem e ganhou o desafeto de seus líderes, os irmãos Seijūrō e Denshichirō, além do veterano Ueda Ryōhei. Mesmo derrotado, a má impressão causada pelo rōnin marcou a todos, bem como sua promessa de uma revanche.

Após muitas batalhas de vida ou morte ao redor do país, a promessa trazia Musashi de volta a Kyōto. Ocorre que o personagem não era mais o mesmo. Os dias ao relento e as vitórias contra inimigos poderosos tornaram as habilidades de Musashi muito superiores às dos civilizados e vaidosos Yoshioka. Nota-se aqui uma diferença brutal entre se expor ao risco e se deixar conduzir pelo vento versus manter uma rotina de treinos burocrática e prezar pela reputação de uma instituição. Musashi, um homem solitário e desenfreado, atropela o mimado Seijūrō e o hesitante Denshichirō, além de humilhar Ueda. No entanto, justamente por ser desenfreado, o rōnin não se contenta com a desfragmentação que os Yoshioka naturalmente sofreriam sem seus líderes. Musashi é seduzido pelos desejos de vingança do clã, e decide enfrentar – sozinho – os setenta espadachins restantes.

 

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A incursão é exclusiva do mangá. Inoue (2009) revela: “No romance original, Musashi derrota o líder dos Yoshioka e enquanto escapa corta mais alguns que o atacam. Pra mim isso não pareceu um verdadeiro desafio, aí eu pensei, ‘e se ele tivesse que derrotar todos – todo os 70?’ Do volume 25 a 27, então, Musashi realmente derrota 70 inimigos”. Novamente realizando um feito notável como mangaká, Inoue dessa vez já estava familiarizado com os efeitos de sua ambição. Mesmo assim, aceitou a meta que impôs a si mesmo, sabendo que Vagabond evoluiria no processo. A obra só teria a ganhar. Sobre o massacre aos Yoshioka, o autor afirma:

Para desenhar uma cena onde aquelas 70 pessoas são realmente cortadas ao meio… meio que me fez desacreditar na simplicidade de vitória e derrota. É uma batalha, então obviamente há vencedores e perdedores. Porém, eu acabei duvidando do real valor daquela vitória. Se você duvida do que está fazendo, você não consegue progredir, consegue? Eu pensava, vencer é realmente sair vitorioso? É uma coisa boa? Foi difícil porque eu estava cheio de sentimentos contraditórios. Contudo, o objetivo daquela cena era justamente para experimentar esse tipo de sensação. (Inoue, 2009).

Através da trajetória de Musashi, Vagabond se debruça sobre uma questão fundamental ao homem: como viver. Ou ainda, de que maneira a existência deve ser encarada por uma pessoa predisposta a ser completamente sincera consigo mesma. No entanto, o mangá não se parece com um manual ou guia prático, que responde perguntas categoricamente. O Musashi de Inoue nos sugere, através de seu caminho de autodescoberta, que talvez a busca pelo modo correto de se viver configura-se, em si mesma, em um modo correto de se viver. Isso é o mesmo que dizer que, apesar de toda a matança em sua vida e de todas as cicatrizes profundas que somou, Musashi somente poderia encontrar medidas realistas para a extensão de sua existência no mundo desde que visse a cor do sangue, o seu próprio e o dos outros.

 

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Para Musashi, a iluminação só poderia vir através do mergulho obsessivo na escuridão. E o que compõe a escuridão do espadachim é sua compulsão por cortar outros espadachins. À essa compulsão, Vagabond dá o nome de “espiral da morte”. A satisfação da vitória, o flerte com o perigo, a tensão da luta, o cheiro do sangue – tudo na vida do jovem Musashi gira em torno da espada e o mantém obstinado em perseguir adversários mais fortes. Contudo, a matança, como o rōnin demora a perceber, apenas atrai matança. Mas o assédio constante da espiral torna-se irresistível. Como um vício, uma assombração. Fixado em expulsar suas fraquezas, Musashi corre e grita em círculos, em espiral. E mesmo que retalhe os sonhos de outros espadachins junto com seus corpos, sua lâmina retalha antes ao próprio Musashi – seus sonhos, seu corpo, sua juventude.

A espiral da morte, apesar da aparência perversa, não advém de um lugar insincero para Musashi. Era tão somente o que o espadachim era capaz de fazer. Seus modos rudes e sua natureza frágil dificilmente trariam outro resultado se aplicados sobre o mundo. A isso, junta-se a pouca idade de Musashi, sua pouca experiência de vida e seu escasso convívio com outros seres humanos. Criado por um pai desinteressado – o artista marcial Shinmen Munisai – e marginalizado pelos membros de sua vila devido ao comportamento incomum, o jovem passava dias sozinho na floresta, agregando ao seu ego os traços de um animal selvagem.

A pouca interação entre Musashi e seu pai, bem como as características de Munisai, são adições de Inoue à lenda. Historicamente, sabe-se que Shinmen Munisai era um espadachim famoso, reverenciado com a alcunha de “invencível sob o sol”. O apelido veio de sua vitória em um duelo amigável contra Kenpo Yoshioka, da academia Yoshioka de Kyōto. Isso torna a batalha entre Musashi e o clã uma questão geracional, já que Kenpo era pai de Seijūrō e Denshichirō. Em Vagabond, Musashi é atormentado pelas lembranças de um Munisai agressivo e envaidecido pela alcunha. Não à toa, o jovem espadachim busca superar o pai com a espada, eventualmente sendo também reconhecido como “invencível sob o sol”. Naturalmente, no decorrer de suas vidas, ambos passam a ser perseguidos por outros espadachins à procura de desafios e glória. A fama de Munisai não o permite ter paz; e Musashi herda de seu pai até mesmo essa maldição.

 

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Kojirō, ao contrário de Musashi, nunca foi pressionado por um ideal. Por ser surdo, literalmente não escuta a sonoridade de frases de efeito como “invencível sob o sol”. Ao encontrar Kojirō na capital, Musashi vê em seu adversário alguém que segue o que pensa sem desvios. Quando pensa sobre si mesmo, Musashi nota que algo o afasta de sua essência verdadeira, e acredita que a imagem imponente de Munisai o compeliu a agir imprudentemente na juventude. Ainda assim, é só depois de derrotar os setenta samurais de Yoshioka que o rōnin percebe o quanto evoluiu com a espada. Na verdade, Musashi já era o maior duelista do país há tempos, mas sua falta de autoconfiança o levou a assassinar um clã inteiro desnecessariamente. Seijūrō, Denshichirō e Ueda não precisavam ter morrido. Não precisavam pagar pelo descontrole da espiral da morte. Musashi sente tão pouca firmeza em si mesmo que acaba se deixando persuadir pela beleza da palavra, pela poesia do “invencível sob o sol”.

É comum, nas histórias de samurai, conceitos como a espiral da morte. Por exemplo, no mangá de Lobo Solitário (Kozure Ōkami), um samurai desgarrado viaja com o filho em busca de vingança, percorrendo a “estrada para o inferno”, ou meifumadō. Mesmo sabendo que a vingança o levará à ruína, o protagonista aceita o meifumadō e decide perseguir os assassinos de sua esposa. Em Vagabond, apesar da destruição que a espiral causa, Musashi somente abdica dela quando se aproxima gravemente da própria morte – graças a um ferimento profundo em sua perna causado por Ueda, o último a cair dos setenta Yoshioka.

Conforme trabalhava no arco de Kyōto, Inoue outra vez simpatizava com seus personagens. O drama dos setenta contra um se sobrepunha ao drama do mangaká que desenha, semana após semana, uma mesma batalha sem fim. E uma batalha, como Inoue percebeu, sem vencedores. Ele afirma (2010): “Quando estou desenhando uma cena onde 70 pessoas estão sendo cortadas, eu também estou atolado na lama”. Após derrotar os Yoshioka e ser preso, Musashi é confrontado por seu mentor, o monge zen budista Takuan Sōhō. Importante desde o início de Vagabond, Takuan é mais um personagem do mangá com sólido registro histórico no Japão. Conhecido por suas longas viagens e por ser um prolífico escritor e poeta, o monge ainda é lembrado por transgredir ensinamentos budistas ao se interessar por artes marciais e pela espada. Em Vagabond, Takuan não repreende Musashi pelo ato de matar, mas o recorda de que há uma hora e um lugar correto para cada coisa. Afinal, a espiral da morte não difere adversário de inimigo, e Musashi persiste na ideia de sempre lutar até a morte. Graças ao apelo do monge, o espadachim reflete sobre sua trajetória.

 

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É só quando Musashi herda o título de “invencível sob o sol” que compreende a frivolidade de se tornar mais forte. A fama e a vitória são miragens. Mesmo imbatível, Musashi ainda sente vulnerabilidade em seu coração. O rōnin está preso, literal e metaforicamente. Se dizendo perdido, recebe de Takuan um conselho sobre a vastidão do céu, sobre algo além do entendimento humano. Em um lapso de humildade, Musashi expressa a vontade de rezar. Inoue, nessa fase do mangá, começa a enfrentar atrasos e a anunciar pequenos hiatos na publicação. De 2010 para cá, somente quatro volumes de Vagabond foram compilados. A obra está paralisada há três anos. Nas palavras de Inoue (2009), a desilusão de Musashi e o pesar depois de tantas lutas mortais se estenderam do personagem ao mangaká:

[…] eu sinto que estou realmente sendo tragado por Vagabond. É como se a própria natureza do trabalho estivesse me afetando. Eu desperdiço tantas horas pensando em questões sem respostas. Eu penso que esses sentimentos devem sumir se eu passar a desenhar um tipo de entretenimento mais feliz e mais simples.

Na atual década, Inoue encontrou maior consistência na publicação de REAL do que na de Vagabond. Além disso, envolveu-se em inúmeros projetos mundo afora, normalmente visando estender o universo interno de seus mangás. Por exemplo, produzindo livros de ilustrações e organizando mostras e exposições em que pinta telas e enormes painéis com personagens de Vagabond, principalmente Musashi. Por mais que reconhecesse, em 2009, que Vagabond entrava em fase final de publicação, o pouco progresso em anos recentes sugere que Inoue buscou outras expressões artísticas e outros formatos para que pudesse acomodar seus sentimentos por Musashi. Inoue (2009) afirma:

[…] eu cheguei em um ponto onde, no balanço entre os momentos divertidos e os momentos difíceis, se o prazer de fazer o trabalho diminuir ainda mais, eu posso não ser capaz de continuar. Neste momento eu estou tentando buscar um meio de sair dessa, porque eu sei que eu tenho que sair.

 

Saindo das sombras?

Talvez seja pueril chamar o hiato de Vagabond de crise criativa ou bloqueio de escritor. Quando avalia a primeira pausa do mangá, no ano de 2004, Inoue (2010) declara que pretende concluir a obra mesmo que leve mais tempo do que o planejado. Mesmo assim, é visível nas entrevistas consultadas o desgaste psicológico e emocional que Vagabond gerou em seu autor ao longo do tempo. Após mais de trezentos capítulos tratando minuciosamente o caminho sincero porém autodestrutivo de um espadachim lendário, Inoue parece ter alcançado o seu limite como criador. Ele não nega que há pouco a se fazer narrativamente desse ponto em diante: o mangá se prepara para o embate final entre Musashi e Kojirō – um dos eventos mais famosos da cultura japonesa. Alguns personagens importantes no romance original provavelmente não serão retratados em Vagabond, e outros tantos já encontraram a morte nas mãos de Musashi. De fato, o fim da obra pode não ser tão exigente emocionalmente ao mangaká quanto foi até aqui. Porém, levando em conta o nível de esmero na criação do mangá nessas duas décadas, é difícil acreditar que Inoue faria algo descuidadamente.

 

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Mas dois fatores pesam contra Inoue e Vagabond: o primeiro é a caracterização de Musashi na obra e o segundo é justamente a luta entre ele e Kojirō. Pode-se dizer que o primeiro desses problemas deságua no segundo. O que se sabe historicamente, e o que se encontra no romance de Yoshikawa, é que Musashi dirigiu-se à ilha de Funa, em Kokura, para enfrentar seu rival, quando tinha aproximadamente trinta anos de idade. O outro momento chamativo de sua juventude – o duela contra o clã Yoshioka – ocorreu entre os 20 e 22 anos de idade. O longo intervalo de tempo entre esses eventos certamente foi preenchido pelo Musashi histórico com viagens e lutas país afora. Entretanto, há certo grau de incerteza quanto a quais foram os desafiantes do espadachim e em que lugares exatamente se deram os embates. Há alguns consensos, mais ou menos consolidados com o passar dos séculos, como os duelos no templo de Hōzōin e contra o lendário Shishido Baiken. Ocorre que, em Vagabond, Inoue posicionou as lutas de Hōzōin e Baiken antes do arco de Yoshioka, e não depois. Narrativamente, isso não se confecciona em um problema pois, no mangá, a ordem dos eventos adquire uma ordem lógica própria, e a construção psicológica do espadachim orienta-se, a essa altura, mais pela releitura de Inoue do que por Yoshikawa. O único desdobramento para o mangaká foi a necessidade de adiantar o encontro derradeiro de Musashi com Kojirō, se dando aproximadamente aos 25 anos de idade do protagonista.

Esse adiantamento nos eventos possivelmente nasceu da inclinação de Inoue a detalhar minuciosamente lapsos muito breves de tempo. Ora, em Slam Dunk, o último jogo disputado por Shōhoku estende-se por incríveis sete volumes de mangá. É uma partida de uma hora de duração, destrinchada em mais de sessenta capítulos. A trama de Slam Dunk, em si, compreende meros quatro meses da vida colegial de Sakuragi Hanamichi – em uma obra publicada ao longo de seis anos. Nitidamente, a vida é injustamente curta para um mangaká como Inoue. Para solucionar esse tipo de questão em obras longas, há uma tática bastante popular em mangás: timeskips, ou saltos no tempo cronológico interno. Mas Inoue nunca aderiu à prática.

A resistência a certos atalhos da mídia traz um senso de realidade na passagem do tempo nas obras do autor. Porém, ele mesmo admite que preocupa-se em perder a atenção do leitor em meio às suas “voltas e mais voltas” (Inoue, 2008). Apesar de Vagabond evidenciar a lástima que a espiral da morte causa a Musashi, a trama parece ter se envolvido em temas tão sombrios que talvez seja pouco plausível ao protagonista ser minimamente redimido. Inoue, ao que tudo indica, aproximou-se tanto da verossimilhança em Vagabond que viu-se diante de um dilema: a cultura de um povo tende a exaltar o herói pelo que ele conquistou como herói, não pelo que ele foi como pessoa. Musashi matou mais de cem homens antes dos trinta anos de idade. De fato, ele duelou contra grandes guerreiros e fundou seu próprio estilo de luta, escreveu livros e inspirou gerações. Ensinou artes marciais e envolveu-se com a política de seu país. Ele personifica a imagem que orientais e ocidentais têm dos samurais até hoje. Contudo, antes e acima de tudo, foi um assassino implacável quando tinha a espada nas mãos. Ele foi praticamente um serial killer. Suas vítimas podem ter sido soldados, rōnins e samurais – todos prontos a encarar a morte –, mas isso não tira a carga sobre os ombros do homem Musashi.

 

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É delicado debater a moralidade e os sentimentos pessoais de alguém que viveu há quatro séculos atrás, em um país distante com uma cultura diferente da nossa. Ainda mais quando essa pessoa pode nem mesmo ter existido ou, em caso positivo, feito todas as coisas atribuídas a ela. Mesmo para Inoue, que nasceu no mesmo país de Musashi, há algum risco quando se aborda o personagem. Contudo, se há um tom pessoal no trato de Inoue a Musashi, e se há uma preocupação em preservar a humanidade dos personagens enquanto são trabalhados, o mangaká talvez encontre-se às voltas com questões humanas fundamentais. Isso é, desde que assuma um mínimo de empatia e hesitação na alma do Musashi de Vagabond, Inoue naturalmente preenche o vácuo dos feitos notáveis do espadachim com a repercussão interna quanto ao peso dessa ou daquela emoção. Afinal, o herói nacional é antes de tudo um símbolo; a ele, cabem os resultados, o impacto externo. Ninguém sabe como o herói se sente, pois isso é problema dele. Inoue, ao investigar e criar em cima da biografia de Musashi, eventualmente surgiu com um novo Musashi, um ser humano anterior à lenda. Um homem que mata e se arrepende. Inoue (2008), inclusive, se pergunta se “tudo não se tratou de um erro”.

Como dito anteriormente, a cultura japonesa não censura a ficcionalização do fato histórico. Ainda assim, não é difícil perceber de que maneira Inoue atingiu o beco sem saída onde se encontra atualmente com Vagabond. Para Inoue (2008), a temática principal do mangá sempre teve algo a ver com evidenciar a luz fazendo uso das sombras. Musashi é retratado como um espadachim de aspirações honestas, mas que se corrompe aos poucos devido aos métodos a que recorre. A honestidade, em última análise, é o elemento que conduziria Musashi novamente ao caminho iluminado. Contudo, mesmo que o destino estivesse claro desde o princípio, Inoue (2008) sente que “espinhos invisíveis foram deixados no leitor e no artista”. Tendo em vista a decisão de concluir Vagabond um dia, esse tipo de sentimento do mangaká talvez não seja um arrependimento, apenas uma constatação melancólica sobre a situação de Musashi na obra. Pois como encerrar satisfatoriamente a história de um demônio? Como exaltar o legado de uma vida tão desnorteada? Como, no fim das contas, evidenciar a luz fazendo uso das sombras?

Em dado momento, Musashi, cheio de cicatrizes pelo corpo e desgastado emocionalmente após tantas batalhas mortais e, ainda assim, carente de recursos internos para se permitir viver de outro modo, percebe-se em desajuste com o mundo ao redor e consigo mesmo. Nesse estado, encontrase por acaso com Itō Ittōsai, o ex-mestre de Kojirō na obra. Historicamente, Ittōsai foi um rōnin de renome, fundador de seu próprio estilo e considerado invencível – todos fatores que trazem comparação a Musashi. Quando se cruzam em Vagabond, Ittōsai esconde o braço direito, parcialmente amputado em confronto com Kojirō. O discípulo fora abandonado pelo mestre na montanha após a batalha de Sekigahara, pois Ittōsai imaginava poder extrair o verdadeiro potencial de Kojirō com a espada através de uma situação de vida ou morte. A amputação foi uma forma de vingança. Musashi, sem saber de nada disso, se recorda de Ittōsai como um ídolo de infância, alguém de cujos feitos ouvia falar desde criança. Frente a frente, um rōnin velho e amputado contra um jovem e desesperado. O encontro funciona como um aviso, uma advertência a Musashi, mas também um teste; caso não se reforme interiormente, o espadachim vê diante de si aquilo em que pode se tornar. Afinal, Ittōsai dedicou a vida exclusivamente à espada, sem importar-se com a vida de ninguém, nem mesmo com a própria. Ele é mesquinho, arrogante e covarde. Ittōsai é um homem de caráter muito, muito pequeno. O duelo entre os dois teoricamente termina em empate: Musashi não tem forças para manter seu costume de matar os adversários, e isso imediatamente faz Ittōsai perder o interesse pela luta. Simbolicamente, o único fator que impede o protagonista de se tornar o outro é o cansaço. Para a sorte de Musashi, ele não aguenta mais essa vida.

 

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Quanto ao “dedicar-se à espada”, nos casos de Ittōsai e Musashi tido como o dedicar a vida exclusivamente a uma coisa só, novamente Vagabond entrecruza-se com os sentimentos pessoais de seu autor. Inoue (2009) confessa que sua empolgação em desenhar quadrinhos oscilou bastante em anos recentes. A mostra realizada pelo mangaká em museus japoneses a partir de 2008, The LAST Manga Exhibition, foi centrada nos personagens de Vagabond. Inoue (2008) reconhece que alguns de seus sentimentos não encontravam a vazão adequada através do mangá, e que a exposição serviu como oportunidade de dar uma forma a eles. O título da mostra reflete o tema abordado: a morte de Musashi. Os quadros e painéis expostos retratam diferentes etapas na vida do espadachim, incluindo interações no “outro mundo” com personagens já mortos no mangá, como Ueda e os irmãos Yoshioka, bem como os mestres Yagyū Sekishūsai e Hōzōin In’ei. Mesmo que o conteúdo exibido não reflita diretamente na trama do mangá, espiritualmente há correlação entre as duas peças e seu criador: Inoue liberta-se dos quadrinhos momentaneamente, libertando também Musashi da espada e da linearidade da história de Vagabond. Expor quadros de um Musashi idoso, de cabelos brancos, ou mesmo de um Musashi após a morte, reencontrando-se amigavelmente com rivais do passado, pode ter trazido uma sensação de desprendimento a Inoue, uma pausa para respiro e renovação em meio à decadência que o personagem vive no mangá. Inoue (2008) pensa que a exibição foi a primeira vez em que pôde realmente mostrar a luz que deveria surgir das sombras de Musashi. Não à toa, o mangaká fez questão de levar The LAST Manga Exhibition à galeria de arte de Kumamoto, cidade onde Musashi faleceu em 1645, e onde coincidentemente Inoue cursou o ensino superior.

É possível que a mostra, bem como outras mostras de Vagabond ao longo dos anos, sirva não somente como válvula de escape de Inoue à sua obra mais longeva e à pressão da indústria do mangá. A experimentação, em arte, abre novas vias para a expressão. Um artista encontra outro ritmo criativo quando produz algo fora do cotidiano. Ao redor da mesma época em que passou a levar Vagabond a museus, Inoue conduziu Musashi também a outras áreas na trama do mangá. Após a luta contra Ittōsai, o protagonista andarilhou rumo ao Norte japonês, eventualmente chegando a uma vila de agricultores. Lá, trocou a espada por pá e inchada, e ajudou a população local a cultivar o solo destruído pelas enchentes da região. Musashi e os aldeões sobreviveram à fome por um rigoroso inverno, até enfim conseguirem plantar arroz suficiente para todos na primavera. Musashi ainda lidou com ataques de gafanhotos e com a negligência do governo às áreas isoladas, além de sonhar diariamente com os homens que matou. O arco de revisão espiritual traz alguma cura interna a Musashi. Ele passa pelo frio, finalmente afastado do calor do combate, e pela fome, enfim desnutrindo-se da espada. Indo e voltando de hiatos, essa fase do mangá talvez reflita a seca pela qual Inoue passava como autor.

Além de Musashi afastar-se das lutas – e, portanto, da espiral da morte –, a própria trama afasta-se também das regiões centrais do Japão. Com isso, o espadachim descobre outras formas de se lutar para (sobre)viver. A beleza de morrer pela espada lhe parece fugaz nesse momento. A pobreza do vilarejo, apesar de não ser uma característica exclusiva do Norte do país, dá a Musashi um melhor tato sobre a mortalidade. Ele se sente finito. Como afirma Luyten (2011), a história do Japão é uma síntese da história da pobreza no Oriente. O terreno do país é montanhoso, os rios são rasos, o Norte é frio demais e o Sul é quente demais – e ambos são úmidos demais –, o acesso ao litoral é difícil e os desastres naturais são frequentes: vulcões, tufões, terremotos, maremotos. Nesse cenário, o japonês foi historicamente habituado a ver grande virtude no serviço ao próximo e na vida em sociedade. Rōnins, como Musashi, eram essencialmente samurais desempregados, e este não era um estilo de vida bem-visto pela maioria da população. Apesar disso, o número de rōnins pelo país se elevava dependendo da época, e mesmo hoje há uma ideia romântica sobre o “samurai sem mestre”.

 

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Devido à miséria japonesa habitual, a formação da família também é historicamente encorajada. Diferente do viés religioso do Ocidente, a prática no Japão está mais próxima de uma estratégia de sobrevivência. Se unir e ter filhos traduz-se em mais braços para o trabalho na roça, garantindo uma vida longa. Musashi, conforme avança pelo Norte, convive com famílias diferentes e as ajuda como pode em troca de comida e teto. O espadachim tem dificuldade em entender a vida em família e em sociedade, a ajuda mútua, a interdependência. Viver pela espada não traz a menor estabilidade, mas Musashi sente-se melhor na solidão, convencido de poder imergir até o fundo de si desde que caminhe pelo mundo com liberdade absoluta.

Parte disso vem da inaptidão social gerada em sua infância, porém o espadachim começa a questionar-se se é mesmo necessário queimar suas poucas relações significativas em nome de um egoísmo muitas vezes infértil. Repetidamente, o monge Takuan sugere a Musashi que aproximar-se das pessoas não é sinônimo de afastar-se de si mesmo. Pelo contrário, há sentimentos que só o outro pode incitar, além do gozo inerentemente humano na interação social. Nesse ponto de Vagabond, Musashi recorda-se com frequência de seus amigos de infância, o também espadachim Matahachi e a órfã Otsū. Esta, principalmente, surge nos sonhos de Musashi como a imagem de uma esposa ideal. Os ferimentos de batalha atormentam o rōnin, a desilusão faz seu ego murchar, e assim pensamentos sobre a mortalidade do homem, a incerteza do futuro e o desejo de sobreviver assumem a forma e o nome de Otsū. Não há qualquer registro sobre casamento na vida do Musashi histórico. Sabe-se apenas que ele adotou três filhos, em diferentes momentos de sua vida e em circunstâncias variadas. Talvez para simplificar as coisas, Inoue mostrou até aqui, em Vagabond, somente a adoção de um filho, Iori. Ela ocorre justamente na fase agricultor de Musashi.

Tornar-se pai pode ser um mecanismo para lidar com as falhas nas relações do passado. Musashi instintivamente sabe que Otsū jamais fará parte de sua vida, pela forma errática como um rōnin tende a se comportar. Takuan faz todo o possível para aproximá-los, chegando ao ponto de sugerir o casamento para ambos. Vagabond pode não ser uma obra finalizada, mas desde que siga à risca os crescentes desencontros entre Musashi e Otsū no livro de Yoshikawa, é seguro deduzir que o casamento não irá se consumar. Apesar de convicto, o protagonista de Vagabond não deixa de lamentar a distância de Otsū. A melancolia, nesse caso, não deve ser confundida com a noção hollywoodiana do amor perfeito que não se concretiza. Aqui, é como se Musashi sintetizasse na lembrança de Otsū a tristeza advinda da passagem do tempo e a profunda realização de que não há escapatória da morte. Na prisão, o rōnin define sua vida até ali como “vinte e dois anos desperdiçados”. O longo desvio da espiral da morte trouxe lições valiosas e distanciamentos incorrigíveis. Não trata-se simplesmente de pressentir a brevidade da vida, tem mais a ver com a impossibilidade de se encontrar a mesma alegria duas vezes, enquanto a inevitável tristeza virá não importa qual vida se viva e qual escolha se faça.

 

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Por outro lado, Inoue (2008) insiste que a tristeza e o pesar possuem um destino, uma finalidade em Vagabond. Alinhado ao material original, o mangá também terá como ápice o duelo entre Musashi e Kojirō: “[…] a história se concluirá com esses dois” (Inoue, 2010). Sabe-se que, na época, a vitória transformou o rōnin imediatamente no homem mais procurado do país. Quando se enfrentaram, Musashi era um caipira que ganhou alguma projeção depois do conflito contra os Yoshioka. Enquanto Kojirō já era praticamente uma celebridade da espada. Usando um remo de barco, entalhado minutos antes da luta, Musashi tirou a vida de Kojirō em um único golpe forte e preciso. De uma hora para outra, ele era o alvo de todo o Japão. Os discípulos de Kojirō queriam vingá-lo ali mesmo; rōnins de toda parte almejavam matar Musashi e roubar para si a sua fama; lordes e senhores feudais exigiam sua presença como samurai ou instrutor de combate. A segunda metade de sua vida consistiu em escapar da morte e servir ciclicamente a lordes variados, seja pelo ímpeto andarilho, seja pelo instinto de sobrevivência de não ficar tempo demais em um mesmo lugar. A trama de Vagabond ruma exatamente nessa direção, com Musashi dirigindo-se a Kokura, cidade-castelo onde Kojirō desfruta de prestígio.

A luz através das sombras, como projeta Inoue para Vagabond, talvez seja representada por um Musashi que descobre que a espada não serve exclusivamente para matar. O personagem questiona-se inúmeras vezes, nos duelos ao longo da obra, sobre a essência da katana e o intuito de se lutar. Se a espada foi criada para matar, a beleza de sua manufatura reside justamente no perigo que representa como arma. Como tornar-se mais forte sem matar o adversário, sem atestar a vitória definitivamente através da morte? O que se conquista restringindo-se, impedindo a si mesmo de viver a última consequência? Não que Musashi tenha decidido previamente cruzar o país e exterminar um clã inteiro; uma coisa levou à outra, e evidentemente o espadachim não teria encontrado a fama e o status de lenda se tivesse conformado-se com o razoável e o sensato. Entretanto, as mortes que causou o atormentam e atraem cada vez mais desafiantes. Mas é possível que o final de Vagabond espelhe-se no Musashi histórico, que fundamentalmente ajudou a reformar a cultura ao redor do “caminho da espada”: ao invés de focar-se em matar, hoje as artes marciais em geral visam a busca pela perfeição e o desenvolvimento do espírito. A espada serve para ensinar e aprender, no mundo atual. Nesse sentido, o legado de Musashi acaba sendo bastante positivo, tanto em Vagabond quando na vida real, tornando o mangá um estudo aprofundado das tragédias pessoais que o espadachim enfrentou até se tornar um herói a influenciar as gerações futuras.

Inoue (2010) afirma inclusive não saber “se a história acabará com eles [Musashi e Kojirō] como inimigos ou amigos”. Ambas as possibilidades são consistentes com o que Musashi mostrou até agora na obra. A espiral da morte, mesmo sendo cabível à personalidade do espadachim, pode sem dúvida ameaçar as chances de redenção do personagem. Durante a maior parte de Vagabond, Musashi se deixa levar por paixões que não compreende, e afoga-se nas próprias contradições, fazendo-nos questionar qual dos extremos é o inferno do homem: a apatia que nada conquista ou a ambição incendiária que tudo conquista. Inoue possivelmente desenvolve o personagem de Musashi com tanta humanidade por uma questão de simpatia. Afinal, o mangaká afirma guiar-se por um princípio cujo tom inconsequente se assemelha ao do espadachim: “desafie algo que está muito além de suas habilidades” (Inoue, 2010). Recriar a trajetória de um mito nacional, em um mangá semanal de arte formidável, enredo complexo e conceitos profundos, é uma tarefa certamente hercúlea. Isso é quase comparável a desafiar sozinho setenta samurais – vale repetir, uma ideia original do mangaká. Talvez os fardos de Inoue e Musashi sejam equivalentes ao tamanho de suas ambições, coadunando-se de autor para personagem e viceversa. Porém, é inútil amaldiçoar o destino que repousa sobre os homens quando estes avançam pela vida fazendo exatamente aquilo que condiz com suas essências.

 

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Quando questionado sobre a importância de se investigar o “eu” e incorporar a si mesmo no trabalho, Inoue (2010) reconhece que almeja encontrar uma verdade interna em sua alma enquanto cria Vagabond: “Ao fazer isso do modo correto, e cavar mais e mais profundamente no ‘eu’, tudo o que resta é o âmago sem nenhuma impureza. Eu sinto que quando se alcança o âmago da vida, ele é eterno e universal”. Para o Musashi de Vagabond, sem dúvida existe algo de belo e exuberante em caminhar com as próprias pernas e descobrir por si mesmo o propósito de ter nascido e vivido nesse mundo. Como Musashi, Inoue parece se preocupar com essa questão, e em encontrar para si uma forma sincera de existir. O mangaká legitimamente arrisca a vida para criar algo genuíno e humano, e que ressoe com as pessoas de forma universal, independentemente de sua cultura e de seu país de origem.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No que diz respeito ao trabalho autoral, Takehiko Inoue é um mangaká bem-sucedido, mas que não se satisfaz em meramente produzir obras de sucesso comercial. Seus mangás inovaram os gêneros a que pertencem, com personagens realistas muitas vezes projetados a partir do próprio Inoue. A autoinserção, que começou no singelo amor pelo basquete em Slam Dunk, ganhou uma nuance sombria em Vagabond, acarretando em alguns momentos de crise na carreira do mangaká. A expressão íntima nos quadrinhos, prática consolidada ainda no século XX em todo o mundo, com as autobiografias e autoficções, possibilitou a Inoue acrescentar intensidade e verdade aos personagens e arcos de seus mangás. Culturalmente autorizado pela proximidade do japonês com seu folclore, o autor fez do personagem Miyamoto Musashi um reservatório pessoal de sua luta diária com a expressão artística, com a não conformidade dentro de uma indústria milionária, com o status de mangaká famoso. A espiral da morte de Musashi pode ser interpretada como a espiral de um quadrinista – e de todo artista que se preze – ante o impulso criativo e o compromisso pessoal de manter a qualidade narrativa de sua arte.

 

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Ao se devotar intimamente a seus personagens, Inoue parece entregar a substância de sua vida a eles. Mesmo custando caro ao mangaká, ele não aparenta arrepender-se ou lamentar o rumo que as coisas tomaram em sua carreira. Ambos Slam Dunk e Vagabond partem de conceitos simples e comumente abordados na ficção, como as inseguranças da juventude e a suspeita de que há segredos profundos sobre o homem só descobertos na solidão. Conforme trabalhou esses temas em suas obras, Inoue possivelmente lidou com eles internamente, devolvendo-os ao mundo pela arte.

Não constam autobiografias tradicionais ou autoficções de qualquer natureza nos mangás do autor. Mas pensando rigidamente, mostra-se delicada a ideia de “autoinserção” em arte, já que não temos garantias de como se dá esse processo para um artista, nem qual métrica utilizar em sua avaliação. De modo geral, toda arte que se produz pode ser razoavelmente considerada autoinserção, pois toda arte que se produz exige um tempo e uma energia que não estão sendo empregados em outra tarefa. Essa parcela da vida de uma pessoa culmina terminantemente naquele algo. O que ocorre, e a ideia sendo debatida aqui, é o quanto pode-se investir de tempo e energia no exercício criativo e a vastidão expressiva que se espera atingir quando o artista deliberadamente questiona e desafia a si mesmo de forma franca, por vezes até inconsequente e autodestrutiva. Takehiko Inoue, se é que a magnitude de seus mangás não basta, ainda por cima reforça em entrevistas o empenho autoinvestigativo que atravessa na confecção de uma história. Não há dúvidas de que Inoue deposita a si mesmo no papel: os dramas de personagens como Sakuragi e Musashi são complexos e humanos pois é impossível escrever e desenhar em vívidos detalhes aquilo de que não se tem conhecimento íntimo. O mangá semanal é um tipo de entretenimento ágil e de baixo custo, porém Inoue eleva a qualidade da mídia ao tornar-se ele próprio objeto de inspiração de suas obras, provando serem infinitas as possibilidades de expressão quando há coragem e retidão por parte do autor.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, Alexandre. Quadrinhos japoneses: uma perspectiva histórica e ficcional. In: LUYTEN, Sonia Bibe (Org.). Cultura pop japonesa: mangá e anime. São Paulo: Hedra. 2005.

BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1987.

DOUBROVSKY, Serge. Fils. Paris: Galilée, 1977.

FARRAJOTA, Marcos. kuš! Riga: Revista š! #20 ‘Desassossego’, 2015.

FRITZEN, Celdon. Histórias de vida em entrevistas sociolinguísticas: memórias e oralidade. Criciúma: Revista Ciências Humanas, 2003.

GONÇALVES, Ana Cristina. FRITZEN, Celdon. Narrativa autobiográfica e mangá: uma análise de Gen Pés Descalços. Criciúma: História, imagem e narrativas, 2008.

GRAVETT, Paul. Mangá: como o Japão reinventou os quadrinhos. São Paulo: Conrad, 2006.

HIDALGO, Luciana. Autoficção brasileira: influências francesas, indefinições teóricas. Alea: Estudos Neolatinos, 2013.

INOUE, Takehiko [entrevista]. The LAST Manga Exhibition Complete Catalogue. Tōkyō: Flower, 2008.

INOUE, Takehiko [entrevista]. Takehiko Inoue Pia. Tōkyō: Pia, 2009.

INOUE, Takehiko [entrevista]. “NHK Professional: Takehiko Inoue Works”. Tōkyō: NHK, 2010. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=f8Qk_pn3Sog&gt;. Acesso em: 22/07/2018.

LEJEUNE, Philippe. Le pacte autobiographique. Paris: Seuil, 1975.

LUYTEN, Sonia Bibe. Mangá: o poder dos quadrinhos japoneses. São Paulo: Hedra, 2011.

THOMPSON, Paul. A Voz Do Passado, História Oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

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