Animes no fogão, parte 1: Little Witch Academia

Preparem os talheres, otakus! Pois um homem que não sabe cozinhar é um homem nu!

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Já escrevi, aqui no blog, sobre o enlouquecido episódio 8 do anime Little Witch Academia. Por ser uma comédia do estúdio Trigger, é de se esperar que haja muito humor nonsense na obra. Porém, o que eu não esperava é que outro ótimo episódio sem noção, o de número 16, ainda me provesse com uma boa ideia. É a seguinte: já que gosto de animes e também gosto de cozinhar, por que não unir as duas coisas? No post de hoje, faço um teste: preparei um prato que vi num desenho japonês, e venho relatar a experiência no blog. E ensinar a receita, é claro.

O prato se tornou uma figura importante no dito episódio, quase um personagem em si. Na busca pelas palavras sagradas, Akko e Sucy viajam à casa de Lotte, numa remota vila na Finlândia. Os pais de Lotte, contentes com a presença da filha e suas amigas, tentam conquistar as visitantes pelo estômago. É quando surge a “torta de hapansilakka”, uma iguaria local — apesar de mal-cheirosa. Sucy, com sua personalidade excêntrica, logo se apaixona pelas tortas, e apenas Akko não cria coragem para provar do prato.

 

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Na manhã seguinte, o caos está instaurado. Aparentemente, condições exageradamente específicas fazem com que tortas de hapansilakka despertem uma epidemia, que infecta pessoas e gradualmente as transforma em musgos(?!). Coisa simples: o surto depende apenas da posição astrológica da Terra, da quantidade de CO2 emitido pelos humanos, o timing do lançamento de polens, e assim por diante. Culminando em tortas assadas na temperatura perfeita. Akko, a única pessoa que não as comeu, e que portanto não foi infectada, deverá atender outros incontáveis pré-requisitos para produzir um antídoto. Isso inclui lidar com o Abominável Homem das Neves. Nessas horas eu penso que Little Witch Academia seja, literalmente, um desenho animado pra potheads.

 

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Como traduções geram alguma confusão, pesquisei e acabei chegando a dois tipos possíveis de pães/salgados bastante diferentes um do outro. Nas legendas do episódio em português, Lotte chama o prato de “torta de hapansilakka”, um item típico da Suécia; contudo, sua aparência lembra muito a de um “pastel da Karélia” ou “karjalanpiirakka”, um prato popular na Finlândia. O problema é que o episódio se passa na Finlândia, terra-natal de Lotte. E apesar de Lotte listar o nome e todas as características (principalmente o odor) da torta de hapansilakka, ver o aspecto e localização do pastel da Karélia me geraram dúvidas. Pode ser que o roteirista do episódio tenha misturado os pratos, numa receita mágica propícia a Little Witch Academia, ou apenas se confundido. Para mim, que não como carne, a escolha óbvia na cozinha foi o pastel da Karélia (recheado com arroz arbóreo), ao invés da torta de hapansilakka (recheada com surströmming, uma espécie de fermentado de arenque).

 

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Ainda bem que não como carne: o surströmming é considerado um dos alimentos mais fedidos do mundo

 

A região da Karélia fica na fronteira da Finlândia com a Rússia. O pastel característico do lugar não é exatamente um pastel. Pelo menos, não na forma como nós brasileiros imaginamos. O pastel da Karélia está mais para uma piirakka, um tipo de pão rústico, de influência russa e feito basicamente com centeio. O recheio da receita é, originalmente, batata amassada. Contudo, nos últimos anos a variação do pastel recheada com arroz arbóreo (aquele que se usa pra fazer risoto) ganhou popularidade, e se tornou bastante comum no país. É quase uma versão finlandesa do pastel de Belém, de Portugal. Só que, digamos, mais “russo”. Essa é a receita que encontrei pela internet, e que tentei reproduzir. Portanto, sem mais enrolações, vamos à ela:

Pastel da Karélia:

Receita para aproximadamente 8 pastéis médios.

  1. Comece pelo arroz: numa panela média coloque 1 xícara de arroz arbóreo, 6 xícaras de leite, 4 colheres de açúcar e 1 pitada de sal. Cozinhe durante 20 minutos e deixe arrefecer.
  2. Depois, vamos para a massa: numa vasilha com 1 xícara de água morna, junte uma pitada de sal, 2 xícaras de farinha de centeio e 1 xícara de farinha de trigo (eu usei farinha de arroz), mexendo sempre com uma colher de pau.
  3. Deite a massa na bancada polvilhada com farinha e amasse com as mãos.
  4. Quando estiver bem homogênea, abra e corte em 8 partes iguais. Com a ajuda do rolo, crie 8 discos largos e fininhos. Disponha sobre uma forma forrada com papel manteiga e reserve.
  5. Acrescente um ovo ao arroz doce já resfriado (pulei essa etapa, a consistência do arroz já me parecia boa o bastante).
  6. Coloque umas duas colheradas (generosas) do arroz sobre cada disco, dobre as laterais e vá “beliscando” o interior, formando um pastel oval com parte do recheio à mostra (veja as fotos para entender melhor essa etapa).
  7. Leve ao forno pré-aquecido em 250º durante uns 15 minutos (no meu caso, deu quase 30 minutos; mas vai do forno de cada um, portanto fique atento).
  8. Já assados, pincele os pasteis com manteiga derretida e polvilhe a gosto com açúcar (preferi encher de canela, achei muita gordice a manteiga e o açúcar; mas, de novo, vai de cada um).

 

Meu resultado foi esse aqui:

 

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Eu visivelmente apanhei na hora de beliscar a massa, pois a farinha de centeio não é tão maleável quanto a farinha de trigo

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Recomendo muita canela em pó, como fiz

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Não economize no recheio! A graça desse pastel é comê-lo assim que sair do forno. Se você fez tudo certo, o arroz estará molinho, bem doce e bem quentinho!

 

E essa foi a minha experiência com o pastel finlandês de Little Witch Academia. Amanhã trarei a parte 2, com outra iguaria do mundo dos animes. Diga nos comentários se você irá fazer seu próprio pastel da Karélia, e me recomende outras receitas animísticas para novas postagens culinárias aqui no blog. Até a próxima!

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