Indicamos: Gundam Twilight Axis

De volta com a coluna de indicações do blog, a única coluna de indicações da internet que é semanal na teoria e quinzenal na prática.

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Gundam Twilight Axis é uma entre incontáveis histórias derivativas da antológica franquia Gundam. Trata-se de uma light novel em publicação pela Yatate Bunko (braço editorial da Sunrise, criado especificamente para expandir os universos de Gundam e de outras franquias do estúdio), e com adaptação para anime prevista para estrear ainda este mês – em ONAs com a curiosa duração de 3 minutos. Imagino, portanto, que o timing seja apropriado para indicar a obra. Pessoalmente, sinto um crescente interesse por Gundam, mas percebo que Twilight Axis pode atrair a atenção até do leitor que não se importa com robôs gigantes ou com a temática da guerra. Pois Twilight Axis é uma história sobre seres humanos.

 

 

Nossos personagens centrais, Danton Hyleg e Arlette Almage são, respectivamente, um ex-piloto de testes e uma ex-engenheira do Principado de Zeon, residindo e trabalhando no asteroide-base Axis até este ser destruído pela guerra e inteiramente abandonado por seus habitantes. Alguns anos após o desastre, Danton e Arlette, agora um casal, vivem pacificamente numa das várias colônias da Federação da Terra. Dado o conflito histórico entre Zeon e a Federação, o casal adota identidades falsas, omitindo seu passado revolucionário. Interessantemente, nossos protagonistas parecem não se importar com essa guerra, com a polarização ideológica do mundo. A força que os atraiu à luta de Zeon tem um nome – Char Aznable, o misterioso e carismático líder da revolução. Assim, os dias tranquilos de Danton e Arlette no presente são interrompidos quando agentes da Federação os convocam para investigar as ruínas de Axis. São o passado e a guerra batendo à porta, e o casal percebe que é hora de enfrentar as coisas que deixaram para trás.

 

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A história trás luz a acontecimentos importantes da linha do tempo principal de Gundam, como a explosão que dividiu Axis, na luta final do filme Gundam: Char’s Counterattack, entre Char e Amuro. Porém, Twilight Axis não se prende tanto às questões políticas ou bélicas de tal explosão ou suas consequências para a Federação e para Zeon. Ou melhor, até explora estas questões, mas não as têm como primeiro plano. Aqui, o que merece destaque são as modificações nas vidas pessoais de Danton e Arlette. Como suas profissões os levaram a Axis, a conhecerem um ao outro e, em certo ponto, conhecerem e se aproximarem do lendário Char. Nos é sugerido, através de flashbacks e diálogos sobre o passado, que Danton admirava e buscava Char, enquanto Arlette de fato se apaixonou pelo líder de Zeon. E Char, em retorno, respeitava e enaltecia o trabalho de ambos em Axis. Ou seja, o escopo dessa série de Gundam é mais íntimo, mais contido. As guerras trazem, sim, situações incontornáveis para comunidades e populações inteiras, como ocorreu no próprio asteroide-base eventualmente – mas em Twilight Axis isso é abordado de forma pessoal, sob as perspectivas, principalmente, de Danton e Arlette.

 

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A título de exemplo, em Gundam Unicorn, outra obra recente da franquia, e situada poucos meses antes de Twilight Axis na linha temporal, observamos acontecimento semelhantes: o pós-guerra e a tentativa de reestabilização da situação humana no espaço. Contudo, ao contrário de Twilight Axis, Unicorn possui um tom… épico. O enredo nos remete a eventos que datam de 100 anos no passado, reverberando em conflitos do presente. A escala de tudo é maximizada, e nossos olhos são sempre direcionados ao grande esquema das coisas.

Assim, Twilight Axis parece se aproximar mais de obras como Gundam 0080: War in the Pocket, que explora intensamente a intimidade de seus personagens – e é considerada até hoje uma das melhores séries de Gundam.

 

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Já que estamos inevitavelmente falando sobre outros animes da franquia, penso que seja a hora de constatar o óbvio: Twilight Axis representa (mais uma) excelente porta de entrada para Gundam. E, principalmente, para o Universal Century (ou UC; a linha do tempo fundamental de Gundam, que retrata os conflitos decorrentes do início da habitação humana em colônias espaciais no século XXI). A Sunrise tem investido bastante nos últimos anos em adicionar ao UC histórias menores e com focos específicos, bem como outros acontecimentos tangenciais, como nos OVAs e posterior série animada de Gundam Unicorn (recém-concluídos), nos OVAs de Gundam The Origin (ainda em andamento) e nos ONAs de Gundam Thunderbolt (chegando ao fim). Aliás, quanto ao modus operandi da Sunrise com relação a Gundam, acho fascinante a assiduidade com que o estúdio lida com a franquia. É algo raro de se ver em qualquer mídia, não somente nos animes. São décadas e décadas de anúncios e lançamentos constantes: mangás, novels, gunplas e, obviamente, animações – sejam elas séries, OVAs, ONAs ou filmes. E o melhor é que, no seu trato com Gundam, a Sunrise é come-quieto: é produtiva sem fazer muito alarde. Por sinal, se o leitor me permite um breve instante de fanboyzismo, quem me dera Code Geass tivesse recebido tratamento semelhante…

Voltando a Gundam Twilight Axis, devo apenas acrescentar que o título da obra me soa como um primoroso exemplo de uso do engrish, de modo que outros japoneses poderiam tê-lo como inspiração. Se pensarmos na possível pronúncia de axis como access, teríamos não apenas o literal “o crepúsculo de Axis” (bastante cabível se pensarmos no crepúsculo como a morte metafórica do dia, da luz), mas também a bela imagem mental do “acesso ao crepúsculo”, o acesso ao local onde as coisas têm seu fim. Se utilizarmos a significação em latim para axis (algo como centro, pilar ou linha principal), seria razoável a leitura de que o asteroide representa um ponto de confluência na história, onde Danton e Arlette se conheceram e conviveram com Char e com o foco da guerra, numa época áurea; e agora deverão rumar de volta para o axis, para o ponto focal, onde finalizarão questões deixadas em aberto. O centro das resoluções, uma espécie de “fim do mundo”, onde os personagens devem migrar para poderem recomeçar suas vidas.

 

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Dos 4 capítulos da light novel lançados até o momento, todos encontram-se disponíveis, em inglês, no site da Zeonic Republic, tradicionalíssimo scanlator especializado em Gundam. Mesmo que o leitor não se interesse especificamente por Twilight Axis, há vários outros títulos da franquia no site, entre mangás e novels. Em português, quem divulgou a tradução esses dias, pelo menos do primeiro capítulo, foi o Aurora Oriental. Vale a pena conferir. Quanto ao anime, a estreia está prevista para 23 de junho.

E você? Gosta de robôs gigantes tanto quanto eu? Se sim ou não, deixe seus comentários abaixo sobre Twilight Axis e sobre Gundam no geral, e não se esqueça de voltar sempre ao Otaku Pós-Moderno para novas indicações. Ittekimasu!

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