BEDA #12 – Recomendando filmes de anime obscuros!

Alguns mais conhecidos, outros realmente perdidos no passado; vamos falar um pouco sobre filmes de animação obscuros?

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A alguns BEDAs atrás, recomendei 10 videoclipes de animação, sendo que dei preferência a obras desconhecidas, ou subestimadas mesmo. Hoje, novamente trago uma lista de indicações! Dessa vez, vamos falar sobre longas de animação japonesa também desconhecidos, e que, apesar da obscuridade, pertencem a estúdios e/ou realizados famosos – algo que, pra mim, torna tais filmes ainda mais intrigantes. E sem mais enrolação, vamos à lista?

 

Bobby ni Kubittake

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Nosso primeiro item talvez seja o mais obscuro de todos aqui, e já me deixo à disposição para “apontar direções”, nos comentários do post, caso o leitor tenha dificuldade em encontrar este filme. Bobby ni Kubittake, ou Bobby’s in Deep (também conhecido pelo título oficial em inglês: Bobby’s Girl), é um dos primeiríssimos trabalhos da Madhouse, e foi distribuído pela Toei. Aliás, o envolvimento da Toei talvez explique o entusiasmo do filme com motocicletas, já que não imagino a empresa resistindo à ideia de licenciar uma linha de brinquedos. Já a Madhouse parece ter usado o longa como desculpa para experimentação; e deu certo! Algumas sequências em alta velocidade, feitas totalmente à mão, são tão incríveis que te fazem esquecer que o filme é de 1985.

Quanto à sinopse, em Bobby ni Kubittake temos um jovem de 17 anos apaixonado por motos. Sua obsessão é tamanha que Bobby abandona a escola, para dedicar mais tempo a seu hobby. Com isso, seu pai o expulsa de casa, e Bobby decide pular de cidade em cidade com sua moto, aceitando qualquer emprego no caminho. O gancho emocional do filme, já que a personalidade de Bobby é bastante unidimensional, são as interações do protagonista com sua irmã falastrona mas carismática e, principalmente, com sua misteriosa e igualmente romântica pen pal.

 

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Pessoalmente, nenhum membro da staff me chamou a atenção, e talvez seja digno de nota apenas o dublador de Bobby. Hironobu Nomura, então um novato, aspirante a cantor idol, tentou usar o filme como trampolim para sua carreira, inclusive cantando uma insert song. Porém, sua esquecível performance aparentemente frustrou seus planos, e até hoje Nomura contenta-se com atuações para TV.

No mais, vale dizer que o final de Bobby ni Kubittake é tão drástico que divide opiniões. Todos que o assistiram parecem discordar entre si. Quer dizer, todas as duas pessoas que assistiram… É, ok, em outras palavras, eu e minha mãe não nos falamos por dias depois do filme.

 

Colorful

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A cena de abertura de Colorful retrata a chegada de um espírito desmemoriado ao céu, logo após sua morte. Um suposto anjo informa o espírito que ele deu sorte, e poderá retornar imediatamente à Terra, reencarnando no corpo de Makoto, um jovem que acabara de cometer suicídio por overdose de remédios. A partir daqui, o espírito deverá assumir a vida de Makoto normalmente, inclusive disfarçando dos outros o fato de ser um estranho em outro corpo.

Com uma premissa inusitada, a trama de Colorful vai se revelando densa e melancólica. A começar pelo fato de que o espírito não queria retornar à Terra, indo parar justamente no corpo de um jovem que desistiu da Terra, através do suicídio. Enquanto luta para recuperar suas memórias, e ainda conviver com a família e amigos do dono original do corpo, o espírito deverá, por fim, decidir seu destino.

 

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Produzido pela Sunrise em 2010, Colorful é desafiador em muitos aspectos, por tratar de inúmeros temas delicados, e recebeu premiações no Japão e reconhecimento pela crítica especializada. O diretor Keiichi Hara é experiente, e um grande nome em Crayon Shin-chan desde 1992, sendo diretor e escritor, além de fazer os storyboards, de todos os animes e filmes da franquia. A trilha sonora fica por conta de Kow Otani, que já compôs para Haibane Renmei, bem como para Gundam Wing e Outlaw Star, ambos da Sunrise.

Recomendo Colorful tanto pelos assuntos que o filme aborda, pela ambientação e clima da obra, quanto pelo estúdio que a produziu. Explico: apesar do meu gosto pessoal me induzir a ter adoração pelos animes mecha da Sunrise, foi interessante descobrir uma obra tão boa e que passa tão longe do gênero de estimação do estúdio, já que prefiro nem comentar sobre os recentes Love Live! e ClassicaLoid.

 

Gedo Senki / Contos de Terramar

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Já faz uns dois anos desde que assisti Gedo Senki, um dos vários tesouros perdidos do Studio Ghibli, frequentemente ofuscados pelas hiperbólicas menções à Viagem de Chihiro e ao Castelo Animado. Não digo que tais obras(-primas) não mereçam todo o reconhecimento que têm, apenas sou um defensor da boa e velha wikipedia – diabos, quanto custa dar uma pesquisada, e eventualmente abrir a cabeça para outros itens da vasta filmografia do estúdio? Não é só de Stairway to Heaven que vive o Led Zeppelin. E aqui, o mesmo pode ser dito sobre Gorou Miyazaki, filho do homem e diretor de Gedo Senki.

Trazido ao Ocidente como Tales from Earthsea (ou, o meu preferido: Contos de Terramar), o filme marca a estreia de Gorou na cadeira de diretor, após anos de uma sólida carreira como paisagista(!). Relutante em seguir os passos do pai, Gorou parece trazer ao filme – e ao conseguinte esquecimento do filme por parte do público – o compreensível sentimento de filho-de-um-homem-célebre. A pressão não deve ser fácil; e os personagens Ged, um sábio mago-andarilho, e Lebannen, um jovem príncipe com um lado negro, parecem transcrever a realidade do diretor, enquanto lutam juntos contra bruxas, lobos e dragões para trazer o mundo de volta ao seu equilíbrio.

 

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Fazendo uso da iconografia clássica do Studio Ghibli (narrativa fantástica, criaturas de várias mitologias, casal de protagonistas descobrindo o amor e a amizade, etc.), Contos de Terramar ainda conta com o assistente de produção Taku Kishimoto (roteirista em 91 Days, Erased, Haikyuu!!, Joker Game).

Pessoalmente, considero este um dos melhores filmes do estúdio. Além do background da obra ser interessante, sua mitologia ainda possui alguns elementos da lenda Arturiana que sempre me atraem. Por fim, para quem for assistir ao filme, recomendo que preste atenção na cena em que Tehanu canta olhando para o horizonte. É a melhor cena do filme, e sem dúvida uma das mais marcantes de todo o Ghibli.

 

The Sky Crawlers

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Como recomendar Tenshi no Tamago (Angel’s Egg) já está ficando batido, trago aqui outra pérola escondida na filmografia de Mamoru Oshii. The Sky Crawlers nos entrega o de sempre (e não que isso seja ruim): futuro distópico, ambientação cyberpunk, cenário de guerra, questionamentos sobre a realidade vs. sonhos, e sobre o real vs. virtual, personagens introspectivos, poucos diálogos, morte do “eu”. A cartilha de Oshii completa. Incluindo a sublime trilha sonora de Kenji Kawai (Ghost in the Shell, Mob Psycho 100), a bela produção do estúdio Production I.G (Ghost in the Shell, Psycho-Pass) e com os efeitos em CG por conta da Polygon Pictures (Knights of Sidonia, Ajin) – todos velhos colaboradores do diretor.

Porém, há um acréscimo aqui: romance. Complexo, vagaroso e quase disfuncional, como se espera de Ochii; mas, ainda assim, um romance. E isso criará conflitos incomuns para um filme do diretor, além de configurar personagens que interagem de maneiras novas.

A obra acompanha Yuuichi Kannami, um piloto recém-transferido de posto, e um “kildren” (junção de kill + children). No futuro retratado em Sky Crawlers, a humanidade enfim atingiu a paz mundial; porém, como a indústria bélica não pode parar, corporações internacionais simulam guerras mundiais constantemente, e é papel dos kildrens combater nessas guerras sem propósito.

 

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Para evitar spoilers, eu realmente não posso dizer nada além disso. Até mesmo citar o nome da personagem Suito Kusanagi já pode, de certa forma, ser considerado um spoiler. E não, ela não é uma prima distante da Motoko. Mas vale a curiosidade de que ela é dublada pela atriz Rinko Kikuchi (a Mako Mori, de Pacific Rim, que analisei aqui); Kannami, acrescento, também é dublado por um ator, o experiente Ryo Kase (Cartas de Iwo Jima, e o recém-lançado Silence, de Martin Scorsese).

Recomendo Sky Crawlers pela fantástica capacidade do filme em te “absorver” para dentro dele, te deixar em sincronia com o ritmo daquele mundo e daqueles personagens. Sem contar, e essa é uma infeliz anedota, que a obra foi o último longa de animação de Mamoru Oshii, que nos últimos anos tem se dedicado a live-actions de questionável qualidade.

 


 

E você? Quais seus filmes obscuros favoritos? Fazer essa lista foi bem divertido, mas é claro que eu também aceito sugestões. Então não deixe de comentar; e de sempre voltar ao Otaku Pós-Moderno. Até mais!

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