Yu-Gi-Oh Arc-V ou “como estragar um enredo rico com um roteiro bosta, por Tsutomu Kamishiro”.

 

Oi gente, DK na área depois de quase anos para falar sobre a última temporada a ser completa da franquia Yu-Gi-Oh, Arc-V. A temporada foi encerrada em 26/03/2017 e contou com 146 episódios. O anime dará lugar à Yu-Gi-Oh VRAINS, que vai abordar de forma mais enfática o campo da realidade virtual. Mas o texto é sobre Arc-V, e é bom saber de antemão: caso não tenha visto o anime e tenha interesse em vê-lo, O TEXTO POSSUI SPOILERS, PORTANTO LEIA POR SUA CONTA E RISCO. Dado o aviso, vamos ao artigo.

Yu-Gi-Oh! Arc-V

OBS.: Caso tenha se deparado com um texto literalmente igual na página Yu-Gi-Oh Sem Limites, sim, é o mesmo texto porque quem escreveu lá também fui eu. Caso estejam curiosos para ver a repercussão do texto entre os fãs da franquia, acessem a página no Facebook (clique aqui).

arc v 2

Mais uma franquia do anime YGO chega ao fim e com ela as considerações finais que precisamos ter com tudo o que aconteceu e tudo o que poderia ter acontecido na trama. Comentários sobre os personagens, sobre o plot como um todo, sobre os desdobramentos… basicamente, esta é uma análise da quinta temporada canônica de animes feita pela Shueisha abordando o card game. Apesar de ser uma análise pessoal, a intenção aqui é procurar ser o mais imparcial possível sem perder a idoneidade. O post será feito em tópicos porque acho mais fácil de ler assim. Aliás, o texto é bem grande, separe uns bons minutos para ler com calma.

Sem mais delongas, Duel!

arc v 3

_____***ENREDO E ROTEIRO***_____

Arc-V trabalha no início com um aspirante a duelista profissional que deseja seguir os passos do pai, principalmente no conceito do duelo de entretenimento, que é misturar a competitividade do jogo com o ludismo e o deslumbramento de uma partida emocionante. Yuya trabalha pela primeira vez o conceito da diversão pelo espetáculo, coisa que nenhum protagonista se propôs a fazer, ainda que Jaden/Judai tenha focado a diversão, mas baseada na competitividade e sempre no enfrentamento aos jogadores mais fortes. Para ser mais claro, abaixo o foco de cada um dos cinco protagonistas das temporadas de YGO:

yamiyugi-l.png

Yugi: Crença

 

Yugi é um duelista que, além de contar com a sua habilidade (restrita às cartas de sua época), é um jogador que explora principalmente a fé na sorte. O draw providencial, o famoso “coração das cartas”;

Jaden_first_season.png

Judai/Jaden: Competição e Auto Descoberta

Jaden trabalha com cada um dos conceitos nas duas diferentes partes de GX. Na primeira, ele é muito mais focado na intenção de enfrentar o mais forte e procurar sempre se desafiar contra adversários à primeira vista, impossíveis de serem vencidos. No segundo momento de GX, ele procura se avaliar como pessoa e como duelista. Por incrível que pareça, é o protagonista mais autoreflexivo que tivemos até hoje;

yusei-l.png

Yusei: Estratégia e Legado

Yusei é o protagonista mais cerebral da franquia. Raramente comete erros de cálculo, analisa suas jogadas de forma que possa correr o mínimo de riscos possíveis nas suas partidas. Já a partir do segundo arco de 5D’s, Yusei acumula em seu enredo a carga de carregar a história de seus pais como os culpados por uma tragédia que determina todo o desenrolar da franquia. Seu legado é continuar a história de seus pais a fim de trazer redenção para ele mesmo e sua família;

410px-Yuma.png

Yuma: Evolução

Yuma é de longe o pior protagonista ao início de sua própria trama. Comete erros crassos de cálculo, de estratégia, de leitura de jogo, entre outros. Até que pouco a pouco vai melhorando (com a ajuda de Astral) e vai crescendo como duelista, e principalmente, como pessoa. O último duelo da franquia representa bem o que foi a trajetória do Kattobing (termo utilizado por Yuma durante toda a série): a prova de que todo o decorrer de ZeXal não foi em vão para ele;

character-yuya.png

Yuya: Diversão

Não foi à toa que o núcleo de Yuya está todo voltado para a temática do circo. O circo é, principalmente, o sinônimo de diversão, de deslumbre e encantamento. Yuya procura sempre aliar a sua competitividade ao encantamento da platéia, ainda que os conceitos de diversão e competição sejam em vários momentos um tanto distantes (isso explica o porquê de Yuya ser o protagonista mais “vacilante” em suas convicções junto com Yuma).

Dito isso, Arc-V deixa essa temática da diversão bastante clara e que, sim, precisou ser bastante trabalhada ao decorrer do anime. O que não justifica deixar o enredo todo das Quatro Dimensões tão “secundário” no desfecho da trama.

Four_Dimemsions_&_Counterparts.png

As Quatro Dimensões foi algo sensacional e que no primeiro momento foi extremamente bem trabalhado, principalmente se nós analisarmos os problemas de cada uma. Standard como uma dimensão “pacífica” e querendo manter o equilíbrio entre as dimensões; Synchro com a sua problemática riquíssima da relação entre Tops e Commons; XYZ sendo uma terra devastada e predada pela Fusion; Fusion, sendo a dimensão predadora e que deseja quebrar o equilíbrio entre essas dimensões. Posteriormente vieram Zarc e Ray, os elementos que uniam todas essas dimensões e que deveriam funcionar como uma cola para tais mundos .O que à primeira vista começou de forma esplêndida em Standard e até em Synchro, se perdeu e terminou de forma extremamente corrida e mal explicada ao final de Synchro até o resto do anime. Soluções mal explicadas (a atuação dos Lancers como um todo), personagens rebaixados a gatos assustados (Roger) e até a péssimos estrategistas (Leo), problema solucionado de forma extremamente corrida (relação entre XYZ e Fusion), contexto interno muito pouco trabalhado (Fusion), um Deus Ex Machina bizarro (duelos de Zarc) entre outros problemas. No final das contas as Quatro Dimensões acabaram sendo apenas uma desculpa para as oito contrapartes e Zarc/Ray, aos quais falarei sobre a seguir.

Dimensional_counterparts.png

As oito contrapartes não mereciam ficar unidas ao final do anime, foi uma solução pobre demais na minha opinião. De um pulo só as relações Yuto & Ruri e Yugo & Rin foram todas por água abaixo (Serena e Yuri tinham no máximo uma relação de competição entre si), fora todo o background que essas quatro contrapartes tinham por trás delas. Foi uma solução muito ruim e que desconsiderou os momentos de protagonismo momentâneo que esses personagens tiveram. Yuto então foi ainda pior por tornar-se de fato uma “orelha” de Yuya. Você pode até dizer que isso foi um foreshadowing de que Zarc existia e que era a união dos quatro protagonistas. Mas justamente por ter se criado tantas personalidades diferentes entre si que a junção das contrapartes ficou muito ruim para o desfecho do anime.

Arc_V_Ed_3_Lancers_selection.png

_____***PERSONAGENS***_____

Yuya é um protagonista problemático, o que à primeira vista me deixou irritado. Porém, depois de todo o decorrer da trama, acabei por aceitá-lo assim por conta de seus dilemas, principalmente a dicotomia diversão x competição. O grande problema foi a falta de trabalho com os coadjuvantes. Tirando as oito contrapartes, nenhum outro personagem de Arc-V foi bem trabalhado. Okay, você pode dizer que é demais querer que trabalhe bem coadjuvantes quando você já tem um desenvolvimento mais “refinado” de oito personagens. Mas se Sora, Dennis, Shun e Kaito foram bem desenvolvidos, por que não Gongenzaka e Sawatari, que estão na trama desde o início, nunca tiveram um desenvolvimento bom como jogadores ou personagens desde Synchro?

Os outros personagens não comprometeram, exceto Roger (que teve desfecho patético) e a Família Akaba (que dispensa comentários de tão ruim). Zarc começou como um personagem bom e que tornou-se uma desculpa ruim para os últimos episódios do anime, incluindo os últimos duelos que num todo não foram ruins, mas a conformidade de Shun com a situação de Ruri foi de doer o fígado.

Yuya_riding.png

_____***ACTION DUELS***_____

Diferente da maioria, eu não vi problema algum com as Action Duels. Já vimos protagonistas inventar e mudar as regras do jogo no meio da partida, já vimos protagonistas se fundindo a um espírito obsessor, já vimos protagonistas criando carta do Extra Deck e duelando em motos, não é Action Duel que vai ser algo extremamente novo ou absurdo como Deus Ex Machina em YGO. Quanto mais cedo aceitarmos isso, de que é um recurso de roteiro para tal e muito recorrente em toda a franquia, melhor. Apesar disso, as Action Cards são “milagreiras” demais em 99% das vezes, com a exceção de apenas uma partida de Yuzu em que ela pega uma Action Card inútil para sua derrota inevitável. No mais, caso VRAINS tenha um recurso semelhante (o que eu acredito que não terá), aceite isso de coração aberto. Lembre-se que é um shounen, não um seinen.

Dimension_Counterparts_Synchronization.jpg

_____***CONSIDERAÇÕES FINAIS***_____

Se quiser definir Arc-V com uma palavra, a mais adequada não seria ruim, péssimo, horrível ou qualquer outra que indique que foi de má qualidade. A palavra mais apropriada é decepcionante. Arc-V tinha nas mãos o enredo mais rico e passível de discussões dentro da franquia e acabou tendo um final mal trabalhado e com soluções piores que casamentos ao final das novelas de Manoel Carlos. Tudo culpa de um roteiro que não soube trabalhar bem as diferentes ramificações que o anime poderia ter.

PS.: Não sei se foi de forma consciente ou não, mas Arc-V terminou bem próximo do Dia Mundial do Circo e do Teatro, 27 de Março. Mais uma referência interessante sobre o conceito de diversão e encantamento que a temporada quis passar para nós.

PS.: Aproveitando a deixa do final de Arc-V e desse artigo, pretendo falar um pouco sobre as músicas usadas na franquia Yu-Gi-Oh, mais precisamente as aberturas. Prometo que escreverei sobre em breve.

Digam o que acharam do anime, se gostam de Yu-Gi-Oh!, se jogam o TCG, se vão assistir VRAINS, o que acharam da opinião na postagem. Mandem críticas e sugestões, caso tenham. E até a próxima pessoal.

Curta o Otaku Pós-Moderno no Facebook | Siga o Otaku Pós-Moderno no Twitter

Anúncios

2 comentários sobre “Yu-Gi-Oh Arc-V ou “como estragar um enredo rico com um roteiro bosta, por Tsutomu Kamishiro”.

  1. Bruno Camargo disse:

    Eu concordo em gênero, número e grau. De fato a palavra que define Arc-V seria decepcionante. Ao contrário do que muitos dizem, Arc-V tornou-se ruim no momento em que decidiram reciclar o enredo da primeira temporada da série 5D’s. A dimensão synchro recontou, de uma forma convencional e decepcionante, a mesma história que já havíamos visto na série anterior. E o que dizer dos personagens que retornaram sem propósito algum ? Jack Atlas, Edo, Asuka, Kaito. Todos eles já foram trabalhados em suas respectivas séries, não mereciam tanto destaque. Personagens originais como Masumi, Sora, Shun, Reiji e Tsukikage foram desenvolvidos de uma forma chula e extremamente superficial. Tsukikage fez parte do time Lancer, mas que propósito ele teve no anime ? poderia enumerar todos os pontos positivos e negativos, mas infelizmente os pontos negativos ocupariam a maior parte da lista.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.