Corrente de Reviews: Steins;Gate

Tutturu! E aí!

Nossa participação na Corrente de Reviews 2014 é com uma obra que sempre esteve nos nossos planos, mas faltava aquele empurrãozinho pra assistir: Steins;Gate foi a indicação do Mithril para nós. E olha, um forninho não dava tanto problema desde o da Geovana…

Ao invés de cada membro do blog escrever um texto diferente, resolvemos redigir uma grande review com base em discussões que tivemos após assistirmos a obra. Participaram dessas discussões os autores VG(eu), Sano e Diddy. E como julgamos impossível fazer uma resenha da obra sem soltar SPOILER, já fica o aviso: leia por sua conta e risco. Avisos dados, podemos começar!

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O excêntrico cientista Okabe, sua amiga de infância Mayuri e o otaku hacker Daru se juntam para formar o “Laboratório de Gadgets do Futuro” e passam seus dias em um laboratório caindo aos pedaços enquanto tentam inventar gadgets futurísticos, que geralmente não dão certo. Sua invenção mais interessante é o Telefone Microondas, capaz de transformar bananas em gel. Quando uma experiência dá errado, eles descobrem que o artefato pode enviar mensagens de texto para o passado, que alteram o fluxo do tempo. Isso traz consequências inimagináveis, com as quais Okabe pode não ser capaz de lidar. (Adaptado de Myanimelist)

Steins;Gate não empolga de início, pelo contrário: o ritmo extremamente lento chega a afastar quem assiste a obra em seu começo. Pra se ter uma ideia, a sinopse que eu coloquei aí em cima leva cerca de 5 episódios para estar completa, o que é bastante tempo pra uma série de 24 episódios. O que prende nossa atenção é o comportamento do protagonista, Okabe Rintarou—mais um trabalho incrível para a coleção do dublador Mamoru Miyano. Okabe parece ser um tipo delirante e sonhador pelo seu alter ego Hououin Kyouma, imagem que mais tarde será quebrada brutalmente. Nesse início, a série adota um formato de quebra de clímax constante, articulando muito bem com a comédia. As tiradas cômicas de Daru frente aos planos e discursos bizarros de Okabe vão mantendo um tom leve na obra até aquele momento.

O ponto de virada começa com o envolvimento de Okabe com a jovem cientista Makise Kurisu, que acaba se tornando membro do laboratório. O interesse dela no telefone microondas é o que leva os personagens a mergulharem mais na possibilidade da criação da máquina do tempo, refutada bem no começo da história. Esse também é o ponto em que a tensão progressiva começa a acompanhar a trama. O envolvimento de vários personagens com o D-Mail, nome dado ao telefone-microondas(abreviação de Delorean Mail, em uma referência bem bacana ao filme De Volta para o Futuro), a descoberta dos planos da CERN, as ameaças que Okabe começa a receber e as alterações do passado com consequências drásticas no futuro(como a mensagem de Feyris que “resetou” Akihabara) trazem ao espectador um temor constante pela vida e o futuro dos personagens a cada D-Mail enviado. Nessa parte, aliás, o autor tenta trabalhar com a teoria do caos sem desfazer as relações entre os personagens principais, o que pode causar certo descrédito com o espectador. O fato é que a retirada da cultura moe de Akihabara acaba sendo a consequência mais pesada das mensagens.

A tensão chega ao seu ápice com a conclusão da máquina de salto no tempo e a invasão de forças da CERN ao laboratório, causando a morte de Mayuri. A partir daí, a obra entra em um tom um pouco diferente: os elementos de ficção e suspense saem de cena e vemos a saga de Okabe voltando no tempo diversas vezes para tentar salvar sua amiga de infância, sem sucesso(O que nos proporciona cenas bizarras, como Mayuri voando por 3 metros depois de levar um esbarrão). O antes cômico cientista se depara com o primeiro fato passado que ele é incapaz de mudar e a história toma tons de drama. Os diálogos de um acabado Okarin com Kurisu são particularmente interessantes, com a cientista sendo sempre o ponto de apoio para que o protagonista continue sua saga e não enlouqueça.

O mini-arco onde Okabe tem que desfazer todos os D-Mail’s perde um pouco o brilho da série, que passa a ter uma pegada mais slice of life. A face depressiva do protagonista alterna com alguns momentos de humor, como no encontro com Rukako. Esse arco, apesar de não manter o nível da obra, é eficiente em fechar a história de cada personagem que não fazia parte do grupo principal. As subtramas de Feyris e Moeka são as que mais chamam atenção, envolvendo sentimentalmente as personagens de forma profunda. Também é aí que Okabe e e Kurisu assumem seus sentimentos um pelo outro, algo que já tínhamos indícios desde o começo. O(s) beijo(s) sela(m) a despedida da cientista, frente à principal problemática da série: Na linha do mundo em que Mayuri não morre, Kurisu é morta. Particularmente, é bem desagradável que o final da trama sofra esse reducionismo de “escolha entre duas pessoas que ama”. De qualquer forma, a despedida entre os dois é bem significativa até aquele momento.

O que seria um final eficiente e realista, acaba sendo contornado com a volta de Suzuha do futuro, com uma possibilidade de alterar o passado novamente, prontamente rejeitada por Okabe. Entretanto, a possibilidade de trazer Kurisu de volta à vida seduz o cientista. O que poderia ser um daqueles finais básicos de histórias de viagem no tempo, como “não refaça o que já foi feito” ou “os humanos não podem ser deuses”, acaba sendo a consagração de Okabe. Com uma sequência final que traz de volta um pouco da tensão à trama, o protagonista muda o passado sem arruinar o futuro, em uma saída um tanto ficcional comparada às outras da série, como uma recompensa ao personagem e ao espectador. Essa foi a escolha de Steins;Gate.

Comentários Finais:

Steins;Gate, no geral, é uma ótima obra, mas traz alguns defeitos bem perceptíveis. A relação mal explicada de Okabe e Mayuri é uma delas. Sabemos que os dois são amigos de infância, mas não vemos um grande motivo durante a trama para que o protagonista se sacrifique tanto pela garota. Apesar disso, Mayuri ainda é uma personagem importantíssima para a trama. Se de um lado, Okabe tem Kurisu como ponto de incentivo científico nas descobertas do laboratório, Mayuri é quem traz a visão mais humana, inocente e é capaz até de mudar algumas decisões do protagonista. Sem dúvida, a garota é o membro mais “coração” do laboratório.

Outro problema, já mencionado no texto, é a queda da qualidade da obra do meio pro final, graças à mudança de tom e de elementos. A obsessão por verossimilhança, antes presente em grande parte dos pormenores científicos da trama, vai se perdendo aos poucos e a fantasia vai tomando o lugar da “ciência”, caso da máquina do tempo de Suzuha.

Os personagens são ricos e exploram tipos conhecidos de personagens, principalmente dos animes e mangás: A tsundere(Kurisu), o otaku hardcore(Daru), a moe(Mayuri), o andrógeno(Rukako), a maid(Feyris), e a antissocial(Moeka). As referências também são muitas, desde à CERN, passando pelo fórum japonês 2ch, o filme De volta para o futuro e até a missão de recuperação do IBM 5100 do suposto viajante do tempo John Titor, que é personagem da série(Suzuha). A garota, aliás, protagoniza cenas ao mesmo tempo bizarras, cômicas e bonitas ao descobrir ser filha de Daru, que até aquele momento, havia servido apenas como personagem ferramental e (excelente)alívio cômico. A volta de Suzuha ao passado, sua consequente falha e suicídio é uma das sequências mais impactantes da obra.

As tramas envolvendo a reversão dos D-Mail’s de Rukako e Feyris, principalmente da última, deixam a questão aberta: É egoísmo de Okabe sacrificar os desejos e as pessoas amadas dos outros pela vida de alguém que ele ama? As personagens acabam cedendo ao protagonista e voltando ao estado em que estavam originalmente, mas a questão segue aberta para o espectador.

O envolvimento de Mr Braun com a CERN pareceu um pouco conveniente e forçado, mas no geral, a trama de reversão do D-Mail de Moeka foi a que mais trouxe o elemento de tensão de volta à obra naquele momento. As mortes dela e de Mr Braun após a exposição da problemáticas que os levaram àquela situação, a transformação do ódio de Okabe por Moeka em pena, o sentimento de deslocamento e inaptidão presente nos jovens japoneses foram questões muito bem trabalhadas nessa parte.

Bom, ficamos por aqui. Steins;Gate é uma obra com muita informação, então foi difícil fazer com que o texto não ficasse enorme(e acabou ficando). Como eu já disse no início do post, sempre quisemos assistir esse anime e o sentimento é de satisfação, agradecemos pela indicação! o/

Para seguir em frente com a corrente, resolvemos indicar para o blog Naty in Wonderland um anime que entra na lista dos nossos favoritos, do qual inclusive estamos publicando reviews da sua 2ª temporada aqui no blog. Esse anime é Psycho-Pass, série de 2012 exibida no famoso bloco noitaminA. Uma trama empolgante e inteligente que mistura investigação policial, sci-fi e muita ação. Vamos aguardar!

El Psy Congroo.

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Um comentário sobre “Corrente de Reviews: Steins;Gate

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